A campanha eleitoral de Luiz Inácio Lula da Silva já começou, e só a ratificação da sentença prisional por corrupção – por tribunal de segunda-instância - poderá retirá-lo da disputa de outubro do ano que vem. Essa campanha, diga-se de passagem, está tendo lugar antes da data legal.

Estabelece a lei que a campanha eleitoral só poderá ter início em 16 de agosto de 2018, daqui a um ano, portanto. Mas, lei? O que significa a lei para quem acha que seu prestígio junto ao Vaticano e às massas oprimidas o tornam imune a ela?

Não que os resultados da procissão rodoviária de Lula estejam sendo extraordinários. Não estão. O povo vai para as ruas por curiosidade - ver o mito, nordestino como eles, o líder místico da política – ou arrebanhado pelos doadores de camisetas vermelhas, novas de estalar.

Nos comícios, principalmente nos da Paraíba e do Ceará, vozes começam a se levantar, fazendo comparações entre Lula e o santo padroeiro do Nordeste, o Padre Cícero.

Só falta a confirmação de um milagre para que passe a haver peregrinação anual das massas a Caetés.

O governador da Paraíba, Ricardo Coutinho, do PSB, bem que tentou criar o ambiente milagreiro durante a passagem de Lula.  

É que atropelou o cronograma do fornecimento de água às torneiras de Campina Grande para fazê-lo coincidir com a chegada do ex-Presidente à cidade.

Padre Cícero foi idolatrado no Nordeste por conta de um milagre: a hóstia que deu em comunhão a uma freira teria se transformado em sangue na boca da religiosa.

Ajudou também a consolidar seu prestígio um sonho que teve com Jesus Cristo, que apontando para retirantes nordestinos ordenou a Ciço que tomasse conta deles

No seu trabalho pastoral agiu com austeridade, buscando moralizar os costumes, acabar com a mentira e as bebedeiras e ameaçando excomungar os ladrões e corruptos.

Se fosse para obter sua canonização, nesses itens Lula não passaria no exame da Cúria Romana, a não ser que cumprisse severa penitência.

Mas na política, se a trajetória de padre Cícero foi ascendente, num primeiro momento, acabou em desastre.

Poucos sabem, o santo padroeiro foi filiado ao Partido Republicano Conservador, foi prefeito de Juazeiro e chegou a ser eleito deputado federal (mas não assumiu o cargo).

Foi um dos principais articuladores do chamado “Pacto dos Coronéis”, importante momento na história do coronelismo brasileiro (o que hoje nos traz à mente o recente encontro de Lula com Renan Calheiros). 

Foi eleito vice-governador do Ceará, mas politicamente chegou ao fim com a Revolução de 1930.

 

 

 

Redes Sociais


Fale Conosco

Preencha os campos abaixo, e assim que possível entraremos em contato
Enviando...
Mariani 24h © Copyright 2022